23 de novembro de 2015

Esta série ensina a viver - The Big C

Comecei a ver esta série por acaso: tenho NPlay, estavam lá os episódios, o tema era interessante e assim foi.

É genial.

Tenho uma maneira muito própria de ver a doença/palavra/sentença Cancro. À força da experiência percebi que esta palavra assusta e destrói tanto como, inexplicavelmente, motiva e transforma.

Inúmeros são os casos de sobreviventes que transformaram o Big C num motor de mudança positiva onde aprenderam a ver a Vida como ela deve ser vista : uma passagem demasiado breve para ser desperdiçada. Como que mudam de pele, renovam-se, reavaliam-se, transfiguram-se em algo mais do que a doença : uma prova evidente de uma vida que merece ser vivida.

Outros tantos são os casos das vidas ceifadas, familiares e amores e amigos perdidos, que no meio da tristeza da perda se tornaram não mártires mas heróis: a lembrança da efemeridade da nossa presença e de como é importante que o marco que deixamos seja repleto de lembranças e ensinamentos positivos.

Também há casos que não vão além da dor, do medo e da raiva. Da rejeição dos que abandonam (por não saber fazer melhor) quem precisa, e dos que perdem a fé num futuro que já nem acreditam que possa haver. Mas que bem virá a quem se foca no pavor, no terror e não na possibilidade, na esperança ou na agri-doce certeza de que se fez o que se podia?

Provavelmente todos teremos de lidar um dia com o C. Perante esta inevitabilidade, talvez seja altura de agarrar o "touro pelos cornos" e não permitir que ele nos vença. É algo que nos acontece, mas não podemos deixar que seja tudo o que somos ou tudo o que nos define.

Esta série fala disto, de como encontramos forças que nem sabíamos ter e como encontramos apoio em pilares que nem sabíamos que existiam. Fala de momentos em que tudo se fragmenta, como no Fim do Mundo, para que Novos Mundos nasçam dos fragmentos da tragédia.

Se é humor negro? É! Mas não será o cancro também?...

Quanto Tempo temos para levar a Vida assim tão a sério? Faríamos diferente se soubéssemos esse Tempo contado?

Onde estão os nossos sonhos? Teremos realmente limites? Será a Vontade Humana mais forte que o Medo?

Como quantificamos a nossa Vida, pela sua qualidade, pela felicidade ou apenas pelos dias no calendário?

...


Tenho Fé de que nenhum Final seja senão um Início e que os momentos maus não sejam senão um Interlúdio entre conquistas.

Imagem retirada do Google






4 de novembro de 2015

Quando chega o Outono...

...não são só as folhas que decidem cair, muitas vezes o nosso espírito rende-se à melancolia dos dias chuvosos, das noites frias e das chaminés fumegantes. E isso não tem mal nenhum se aprendermos que a melancolia é muitas vezes saudade de algo bom, ou um anseio por algo melhor.

Eu adoro o Outono. As árvores despidas fazem-me lembrar renovação, como a mudança da pena que tantas vezes temos de fazer para curarmos as nossas falhas e criarmos um manto ainda mais belo.

Gosto de ver as ruas cobertas de ouro e de ouvir a chuva na janela: é como uma praia, mas a areia é feita de folhas e o mar vem do céu. 

Gosto das malhas, dos casacos, das botas. Do conforto do corpo rodeado de texturas macias e quentes. A face corada das pessoas a sorrirem enquanto conversam, acompanhadas por um chá quente. 

Gosto da rotina da felicidade de um bom filme e um sofá. 

O cheiro das castanhas assadas, as mãos com a cinza do fogareiro e o estalar das cascas e o sal na língua. 

O Outono é a estação da alma, já dizia Nietzsche. Dá nos tempo para sacudir o pó do Verão e prepararmos o espírito para o Inverno; embala-nos na mudança dos seus ventos fortes e brisas suaves; mostra-nos que para crescer é preciso muitas vezes deixar cair as folhas velhas e secas, para que a chuva abençoe os rebentos férteis do Futuro.

Imagem retirada do Google