4 de março de 2016

Abram as Janelas - Poema do Sr. do Autocarro

Hoje, no autocarro, entra um senhor de muletas que ao sentar-se começa a gritar a plenos pulmões "Abram as janelas!".

Todos olham para o senhor, com ar de sexta-feira (que é igual ao de segunda, mas com mais olheiras) e pensam que é mais um maluco que tem por costume bradar as suas maleitas na rede de transportes.

Lança depois estes ditos, que para mim soaram a poema:

Acordem para a vida! É assim que ensinamos as crianças a sorrir? Olhem à vossa volta, olhem para a pessoa ao vosso lado. Toda a gente sentada, neste calor, é só ar condicionado. Abram as janelas! É preciso ar corrente. Vêm eles de avião passar cá férias...e nós?! Nem à Fonte da Telha vamos! Como é que vão ser produtivos? Passei a vida toda a trabalhar para isto? (abre os braços)...Olhem ali as ervas daninhas, a dar flores, e nós aqui, doentes e com tosse. Abram as janelas! Ar corrente! Temos de dormir e comer como deve ser e não só um cafezinho e um queque de manhã. (levanta-se para sair deixando o lugar vago)

Pronto, já se vão sentar no lugar. Até correm!... Ainda agora se levantaram e já estão sentados.

E saiu. E o ambiente no autocarro mudou, no inicio era um maluco, depois deu para rir, no fim...bem...acho que ficámos todos a pensar na nossa vida e não teve piada nenhuma.

Não sei quem era este senhor, e claro que o cito provavelmente com erros e interpretações dos meus ouvidos...mas um grande obrigada e um maior ainda pedido de desculpa por o achar louco de início, quando depois me deu uma tão valente chapada de realidade.

2 comentários:

  1. Parece que a vida nos vai pondo no caminho umas chapadas de luva branca, de vez em quando, para acordarmos.

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    1. Mas é que é mesmo! Não foi tanto o que ele disse...mas acima de tudo a verdade dos comportamentos que ele referia. Eu pelo menos acordei! Grande senhor do bus! :D

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