16 de junho de 2016

Opiniões Opinativas

Vivemos numa sociedade que confunde o dar opiniões e o opinar.

Dar opiniões: expressar concordância ou discordância sobre algo, apontar uma solução que apresente uma mais-valia para a pessoa a quem a opinião está a ser dada, recomendar algo positivo, referir a sua ideia sobre algo, quando solicitada, para fins comparativos, com argumentos válidos, revelar preocupação genuína.

Opinar: de forma não solicitada, indicar em modo de força toda uma panóplia de "tens de fazer isto" e "comigo era assim e assado" e "faz" e "não faças" e outras tantas frases em forma de ordem como se a pessoa a quem a opinião está a ser dada sofresse de um défice emocional à escala do do PIB.

Sou da opinião que a felicidade deve ser um objectivo, um caminho, e não uma obrigação. Acredito que ser-se feliz depende dos parâmetros de cada um relativamente ao que desejamos e ansiamos e o grau de esforço a que estamos dispostos para atingir o que queremos.

Não acredito que sejamos todos felizes da mesma forma quadrada e modelada, porque sei que há pessoas que são felizes nos seus extremos e pessoas que são felizes na sua neutralidade. Acredito na felicidade das pessoas que fazem tudo, e daquelas que preferem nada fazer. Acredito que tanto é feliz o crente que procura na fé um abrigo, como o descrente que nega haver algo além de si mesmo. Acredito que tanto é feliz uma pessoa que tenha uma grande família, como pode ser feliz a pessoa que vive sempre sozinha e plena de si mesma.

Não sei onde está escrito que temos todos de ser imensamente felizes todo o tempo, ou inteiramente miseráveis sem remédio, mas sinto que a sociedade vive nestes dois pólos. Colocamos demasiada pressão em nós e nos outros para sermos e serem felizes. Opinamos na vida dos outros, com o peso de certezas absolutas, quando o devíamos fazer com a leveza do humor ou com a preocupação de quem cuida.

Costumo dizer uma frase que sempre me acompanha : ninguém tem a obrigação de ser feliz.

Ser feliz deve ser um prazer, não um trabalho forçado. Deve nascer da calma e da paz interior e não derivada de outros ou de coisas. Da minha experiência percebi que nunca fui tão feliz como nos momentos em que fui triste. Porquê? Porque aí percebia o verdadeiro valor das coisas e a verdadeira força que tinha para me superar.

Relaxemos todos. Deixemos as coisas vir e ir e vir e ir, como as ondas, tenhamos as nossas opiniões e as nossas ilusões de perfeição...mas paremos com merdices: a vida não é assim tão complicada.*


*e quando o é, acreditem, vão ter mais que fazer do que preocuparem-se com o que os outros pensam e a última coisa que vos vai apetecer vai ser opinar sobre seja o que for.

P.S. - e SIM, está é a minha opinativa opinião!

1 comentário:

  1. Tens razão, e eu própria faço julgamentos precipitados, por vezes. Se as pessoas fazem escolhas (e desde que não prejudiquem ninguém) não tenho nada a ver com isso, e se fazem parte do caminho para a felicidade, força! Ser feliz é um destino com caminhos infinitos, e às vezes percorrê-lo é a própria felicidade, para alguns. Moral da história: menos crítica e mais caminhos (com mais ou menos atalhos!)

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